{"id":52,"date":"2024-11-07T11:27:55","date_gmt":"2024-11-07T14:27:55","guid":{"rendered":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/?p=52"},"modified":"2024-11-07T11:28:49","modified_gmt":"2024-11-07T14:28:49","slug":"projeto-avalia-saude-mental-da-policia-penal-e-e-destaque-em-evento-do-ministerio-da-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/sem-categoria\/2024\/11\/07\/projeto-avalia-saude-mental-da-policia-penal-e-e-destaque-em-evento-do-ministerio-da-justica\/","title":{"rendered":"Projeto avalia sa\u00fade mental da pol\u00edcia penal e \u00e9 destaque em evento do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora Eneida Santiago, do Departamento de Psicologia Social e Institucional (CCB) e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia da UEL, vem atuando com pesquisas e atividades extensionistas voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental dos servidores do sistema penitenci\u00e1rio h\u00e1 quase 20 anos \u2013 quando esses profissionais ainda eram chamados de agentes penitenci\u00e1rios, nos estados de S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Buscando atenuar os sintomas de sofrimento ps\u00edquico registrados com frequ\u00eancia na categoria \u2013 hoje chamada pol\u00edcia penal -, ela desenvolveu, entre 2005 e 2019, o projeto&nbsp;integrado de Pesquisa e Extens\u00e3o \u201cAten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade do servidor do sistema penitenci\u00e1rio\u201d. No ano passado, o trabalho foi destaque na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.curadoriaprojetovaloriza.com.br\/dados-experiencias\/o-cotidiano-do-trabalho-prisional-e-seus-impactos-sobre-a-sa%C3%BAde-mental-dos-servidores-da-vigil%C3%A2ncia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mostra de Experi\u00eancias de Sa\u00fade e Qualidade de Vida do Servidor Penitenci\u00e1rio<\/a>, iniciativa vinculada ao Projeto Valoriza: Sa\u00fade em Foco, fruto de uma parceria entre a Secretaria Nacional de Pol\u00edticas Penais (Senappen), do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, e a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atuando em unidades administradas pelo Departamento de Pol\u00edcia Penal do Paran\u00e1 (Depen-PR) em Londrina, a professora contou com a participa\u00e7\u00e3o de dez bolsistas de Inicia\u00e7\u00e3o Extensionista e Inclus\u00e3o Social da UEL, ofertando apoio psicol\u00f3gico aos servidores. Al\u00e9m do atendimento, realizado uma vez por semana nas unidades, coletiva e individualmente, o projeto ainda resultou na produ\u00e7\u00e3o de artigos com an\u00e1lises mais amplas sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho de quem atua no intramuros de uma unidade prisional.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pris\u00e3o da mente&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Institui\u00e7\u00e3o criada muito antes do in\u00edcio da sistematiza\u00e7\u00e3o das leis e penas que recaem sobre quem comete crimes, a pris\u00e3o, para a pesquisadora, \u00e9 um universo repleto de diversidades e complexidades existenciais de pessoas que precisam encontrar formas menos conflituosas de conviv\u00eancia, o que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel. Por este motivo, aponta, a pr\u00f3pria arquitetura prisional \u00e9 alvo de observa\u00e7\u00f5es importantes \u2013 como fez o fil\u00f3sofo franc\u00eas Michel Foucault \u2013 uma vez que possui caracter\u00edsticas pr\u00f3prias que provocam um intermitente estado de vig\u00edlia e tens\u00e3o tamb\u00e9m sobre os agentes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA pris\u00e3o tem o cheiro\u00a0da viol\u00eancia. Voc\u00ea j\u00e1 observa que \u00e9 um ambiente em que se tenta conter atos de viol\u00eancia o tempo todo. Por si s\u00f3, essa arquitetura j\u00e1 causa tens\u00e3o psicol\u00f3gica\u201d. (Eneida Santiago, professora do Departamento de Psicologia Social e Institucional).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em diferentes unidades prisionais de Londrina, a pesquisadora se deparou com profissionais que acabaram se tornando ref\u00e9ns de uma condi\u00e7\u00e3o de trabalho marcada pela aus\u00eancia de suporte psicol\u00f3gico, longas jornadas, sobrecarga de atribui\u00e7\u00f5es, inseguran\u00e7a e a pior m\u00e9dia salarial entre todas as categorias das for\u00e7as de seguran\u00e7a no Pa\u00eds, segundo o \u201cRaio-x das For\u00e7as de Seguran\u00e7a P\u00fablica no Brasil 2024\u201d, divulgado recentemente pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica). O valor m\u00e9dio de R$ 8.070,98, segundo o documento, foi o pior registrado em 2023 em rela\u00e7\u00e3o aos sal\u00e1rios de policiais militares, civis, federais, peritos t\u00e9cnicos e bombeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido, ela define que&nbsp;muitos profissionais se encontravam em \u201csignificativo estado de sofrimento ps\u00edquico\u201d. Neste cen\u00e1rio de adoecimento psicol\u00f3gico, os sintomas recorrentes s\u00e3o insatisfa\u00e7\u00e3o com o trabalho, des\u00e2nimo, diminui\u00e7\u00e3o ou fragiliza\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os sociais e at\u00e9 uma&nbsp;aus\u00eancia de vontade de sair de casa para realizar atividades de lazer. Em muitos casos, os sintomas de depress\u00e3o e \u2013 atualmente \u2013 reconhecidos como de&nbsp;<em>burnout<\/em>&nbsp;ainda eram acompanhados de comorbidades diagnosticadas, tais como press\u00e3o alta, diabetes, alcoolismo, ins\u00f4nia e outras condi\u00e7\u00f5es que resultam em afastamentos das atividades. \u201cO quadro geral era bem preocupante\u201d, lamenta Santiago.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadora nas \u00e1reas de Sa\u00fade Coletiva e Processos de Trabalho, a professora re\u00fane em seus artigos relatos hist\u00f3ricos que v\u00e3o ao encontro do que revelou um estudo publicado pelo Sindicato dos Policiais Penais do Paran\u00e1 (Sindarspen), em 2016. \u00c0 \u00e9poca, a categoria registrava enorme insatisfa\u00e7\u00e3o com as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de trabalho (70%) e sentia-se constantemente amea\u00e7ada (25,1%). A pesquisa ainda revelou que 20,8% dos agentes carcer\u00e1rios diziam estar estressados, 14,7% n\u00e3o conseguiam se desligar do trabalho e 12,4% sentiam-se inseguros em seus postos de trabalho. Ainda, 60% afirmaram necessitar da ajuda de profissionais m\u00e9dicos, fazendo uso de medicamentos controlados (44%) pelo per\u00edodo de 1 e 3 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mesmo estudo do Sindarspen, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel encontrar dados ainda mais tristes para a categoria, referentes aos n\u00fameros de mortes e ref\u00e9ns: foram 16 agentes penitenci\u00e1rios assassinados no estado entre 2007 e 2016 e 57 feitos ref\u00e9ns entre dezembro de 2013 e dezembro de 2015.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Din\u00e2mica de desgastes<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro motivo de insatisfa\u00e7\u00e3o para a categoria foi a sobrecarga de atribui\u00e7\u00f5es, principalmente em unidades superlotadas. Historicamente, destaca a pesquisadora, novas contrata\u00e7\u00f5es e a reposi\u00e7\u00e3o dos servidores aposentados n\u00e3o foram capazes de acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, que hoje alcan\u00e7a 644 mil pessoas em todo o Pa\u00eds, de acordo com dados do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPela pr\u00f3pria superlota\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de trabalhadores n\u00e3o conseguiu crescer na mesma propor\u00e7\u00e3o do n\u00famero de presos. Isso, na pr\u00e1tica, significou um n\u00famero de trabalhadores tempor\u00e1rios muito elevado, o que \u00e9 muito ruim para os pr\u00f3prios trabalhadores, aumentando o n\u00edvel de inseguran\u00e7a, e ruim para o pr\u00f3prio funcionamento geral da pris\u00e3o. Essa din\u00e2mica de ter que estar pr\u00f3ximo dos presos em um contexto que aumenta a inseguran\u00e7a \u00e9 tamb\u00e9m de intenso desgaste\u201d, explica Eneida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste cen\u00e1rio, ela destaca que a ampla utiliza\u00e7\u00e3o dos chamados \u201cpresos de confian\u00e7a\u201d nas tarefas di\u00e1rias da penitenci\u00e1ria acaba por aumentar a tens\u00e3o dos policiais penais sobre agress\u00f5es, homic\u00eddios e sequestros de servidores que podem culminar em rebeli\u00f5es. \u201cS\u00e3o diversos fatores que aumentam as condi\u00e7\u00f5es de adoecimento psicol\u00f3gico. Uma pris\u00e3o \u00e9 como uma panela de press\u00e3o onde tudo pode explodir muito de repente\u201d, compara.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi em um destes momentos, de descontrole por parte da administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria, que o munic\u00edpio de Londrina viveu dias de muita viol\u00eancia, em outubro de 2015. Nesta data, todas as 31 galerias da unidade II da Penitenci\u00e1ria Estadual de Londrina (Pel 2) foram tomadas pelos presos, demandando o apoio de grupos de elite da Pol\u00edcia Militar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Doc\u00eancia<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO trabalho foi muito frut\u00edfero, ent\u00e3o encaminhar o material, os artigos para a mostra virtual foi um esfor\u00e7o nosso de dar visibilidade para estas quest\u00f5es, que s\u00e3o esquecidas na sociedade. Ningu\u00e9m faz quest\u00e3o de olhar. Porque tem a ver, entre aspas, em olhar para bandidos, olhar para marginais, e a sociedade quer que o pres\u00eddio fique longe\u201d, concluiu Eneida Santiago.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A professora Eneida Santiago, do Departamento de Psicologia Social e Institucional (CCB) e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia da UEL, vem atuando com pesquisas e atividades extensionistas voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental dos servidores do sistema penitenci\u00e1rio h\u00e1 quase 20 anos \u2013 quando esses profissionais ainda eram chamados de agentes penitenci\u00e1rios, nos estados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":54,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-52","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53,"href":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52\/revisions\/53"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/departamentos.uel.br\/psicologia-social-e-institucional\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}