{"id":207,"date":"2024-02-29T10:12:17","date_gmt":"2024-02-29T13:12:17","guid":{"rendered":"https:\/\/departamentos.uel.br\/letras-vernaculas-e-classicas\/?p=207"},"modified":"2024-02-29T10:13:13","modified_gmt":"2024-02-29T13:13:13","slug":"sim-nos-temos-variacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/departamentos.uel.br\/letras-vernaculas-e-classicas\/sem-categoria\/2024\/02\/29\/sim-nos-temos-variacoes\/","title":{"rendered":"Sim, n\u00f3s temos varia\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00edngua portuguesa n\u00e3o \u00e9 para os fracos, dizem os memes nas redes sociais. Na verdade, ela \u00e9 muito rica, e as varia\u00e7\u00f5es \u2013 sejam no tempo, no espa\u00e7o ou nos diferentes contextos sociais \u2013 atestam essa verdade a todo momento. S\u00f3 para dar um exemplo: no Rio de Janeiro, um menino brinca com sua pipa. Mas no Rio Grande do Sul, pipa \u00e9 o enorme barril onde se guarda o vinho. E barril, na Bahia, \u00e9 a pipa de brinquedo. J\u00e1 as varia\u00e7\u00f5es fon\u00e9ticas ornam o falar brasileiro com melodia, ritmo e fonemas: s\u00e3o os sotaques e outros fen\u00f4menos lingu\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como os professores, particularmente de l\u00edngua portuguesa, devem lidar com a variedade do idioma em sua pr\u00e1tica docente \u00e9 o objetivo principal dos pesquisadores do projeto Varia\u00e7\u00e3o Lingu\u00edstica em Sala de Aula (Vale), um grupo de pesquisa cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). Al\u00e9m das varia\u00e7\u00f5es trazidas pelos pr\u00f3prios alunos, os professores precisam falar das outras, encontradas na literatura, na TV, na internet e em outros espa\u00e7os ou meios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto busca analisar material did\u00e1tico j\u00e1 existente e elaborar novos que contemplem conte\u00fados das diferentes formas lingu\u00edsticas, orais e escritas, e ao mesmo tempo combater os estere\u00f3tipos (como o \u201cfalar caipira\u201d) e os preconceitos (como o \u201cfalar nordestino\u201d), ainda muito enraizados no pa\u00eds. Em s\u00edntese, \u00e9 propiciar que o aluno tenha consci\u00eancia da ideia de adequa\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, de modo que leve em conta as diferentes situa\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a professora Joyce Elaine de Almeida Baronas, do Departamento de Letras Vern\u00e1culas e Cl\u00e1ssicas (CLCH) e coordenadora do Vale, \u00e9 importante apresentar propostas did\u00e1ticas mais adequadas aos professores, para evitar as abordagens superficiais ou estereotipadas. Ou pior: a varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica pode ser rara em alguns livros did\u00e1ticos, reduzindo-se, de acordo com a pesquisadora, a um poema ou uma tirinha em quadrinhos, conte\u00fado para apenas uma aula e s\u00f3. Sem dicion\u00e1rios, sem boas fontes. E boas fontes n\u00e3o faltam, lembra Joyce. O Atlas Lingu\u00edstico do Brasil \u00e9 s\u00f3 um exemplo de material cient\u00edfico, amplo e dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cClaro que h\u00e1 livros que j\u00e1 apresentam boa abordagem\u201d, aponta a professora, que entende que o livro did\u00e1tico s\u00f3 \u00e9 aprovado se houver o conte\u00fado variacionista. O que ela e o grupo defendem \u00e9 explorar mais ainda a riqueza da l\u00edngua, expressa na riqueza textual do Brasil. Assim, da carta de Pero Vaz de Caminha aos e-mails corporativos, e da m\u00fasica de Lupic\u00ednio Rodrigues \u00e0s do Ultraje a Rigor (\u201cIn\u00fatil\u201d s\u00f3 no t\u00edtulo), h\u00e1 muito com o que trabalhar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Livro<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores do Vale lan\u00e7aram, no m\u00eas de abril, o livro \u201cVaria\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica na escola\u201d. A obra \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o do projeto com participa\u00e7\u00e3o da professora Stella Maris Bortoni-Ricardo, docente aposentada da Universidade de Bras\u00edlia (UnB). Junto com ela, a professora Joyce \u00e9 organizadora dos cap\u00edtulos que re\u00fanem mais 11 pesquisadores. Al\u00e9m disso, ela tem, atualmente, 10 orientandos de doutorado no desenvolvimento de teses sobre varia\u00e7\u00e3o e ensino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o futuro pr\u00f3ximo, a ideia \u00e9 desenvolver um projeto de Extens\u00e3o \u2013 j\u00e1 aprovado \u2013 para melhorar a forma\u00e7\u00e3o dos professores e sua atua\u00e7\u00e3o em sala de aula, em a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o continuada que levem em conta cada professor e suas turmas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A l\u00edngua portuguesa n\u00e3o \u00e9 para os fracos, dizem os memes nas redes sociais. 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