{"id":94,"date":"2024-10-09T16:43:55","date_gmt":"2024-10-09T19:43:55","guid":{"rendered":"https:\/\/departamentos.uel.br\/ginecologia-e-obstetricia\/?p=94"},"modified":"2024-10-09T16:49:12","modified_gmt":"2024-10-09T19:49:12","slug":"estudo-traz-relatos-de-maes-que-entregaram-filhos-a-adocao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/departamentos.uel.br\/ginecologia-e-obstetricia\/sem-categoria\/2024\/10\/09\/estudo-traz-relatos-de-maes-que-entregaram-filhos-a-adocao\/","title":{"rendered":"Estudo traz relatos de m\u00e3es que entregaram filhos \u00e0 ado\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando decidiu mergulhar em um tema t\u00e3o caro \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o como psic\u00f3loga do Tribunal de Justi\u00e7a (TJ) da comarca de Cascavel, Gisele Castanheira dos Santos, egressa do curso de Psicologia da UEL, j\u00e1 havia se dedicado \u00e0 entrega legal de rec\u00e9m-nascidos como objeto de estudo, por\u00e9m sob a objetividade da norma jur\u00eddica. Para ela, ter analisado os avan\u00e7os trazidos pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2007-2010\/2009\/Lei\/L12010.htm\">Lei 12.010<\/a>&nbsp;(Nova Lei da Ado\u00e7\u00e3o) na sua segunda gradua\u00e7\u00e3o \u2013 em Direito \u2013 foi uma etapa muito importante, por\u00e9m, ainda incapaz de atender por completo o seu desejo de compreender a experi\u00eancia sob o ponto de vista de quem d\u00e1 origem a uma nova vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir deste objetivo,&nbsp;Castanheira retornou ao Centro de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e se tornou&nbsp;orientanda da professora Sonia Regina Vargas Mansano, no&nbsp;Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia da UEL (<a href=\"https:\/\/pos.uel.br\/psicologia\/\">PPGPSI<\/a>). Em 2023, defendeu a disserta\u00e7\u00e3o intitulada \u201cMulheres Invisibilizadas: a experi\u00eancia afetiva de entrega de um filho para ado\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cChamou-me a aten\u00e7\u00e3o que (a entrega do filho para ado\u00e7\u00e3o) era um procedimento muito r\u00e1pido. E essas mulheres traziam muito sofrimento, um estado de desalento. Elas buscavam ali no F\u00f3rum&nbsp;um cuidado, uma inten\u00e7\u00e3o de cuidado para essas crian\u00e7as\u201d, explica a psic\u00f3loga, que atua h\u00e1 11 anos muito pr\u00f3ximo de casos envolvendo mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>M\u00e3es<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o intuito de investigar de forma profunda o estado ps\u00edquico das m\u00e3es inseridas&nbsp;em uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o delicada,&nbsp;Gisele Castanheira apresenta os relatos das quatro mulheres que comp\u00f5em a pesquisa qualitativa.&nbsp;\u201cO objetivo era realizar uma pesquisa no intuito de entender essa experi\u00eancia afetiva em profundidade\u201d, destaca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para isso, contou com o apoio do&nbsp;Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (<a href=\"https:\/\/www.tjpr.jus.br\/\">TJ-PR<\/a>), que permitiu o acesso a todos os processos de entrega e ado\u00e7\u00e3o de rec\u00e9m-nascidos, mantidos sob segredo de Justi\u00e7a.&nbsp;Foram 47 processos envolvendo entrega legal e ado\u00e7\u00e3o mediados pelo Poder Judici\u00e1rio em uma Comarca do Oeste do Paran\u00e1, entre a entrada em vigor da Nova Lei da Ado\u00e7\u00e3o, de 2009, e o ano de 2022.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s se debru\u00e7ar sobre os processos, o segundo grande desafio foi convidar as personagens a colocar em palavras sua experi\u00eancia, envolta por um processo de silenciamento, considera a pesquisadora. Ao todo, 13 mulheres foram convidadas a participar do estudo, por\u00e9m a maioria relatou que n\u00e3o gostaria de tocar no assunto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssas mulheres t\u00eam muita dificuldade de falar sobre esse tema. O meio social n\u00e3o entende o sofrimento, o luto que envolve a entrega de um filho para ado\u00e7\u00e3o. Elas s\u00e3o muito julgadas. Ent\u00e3o, essa censura do meio social se torna uma autocensura para estas mulheres\u201d, acrescenta.&nbsp;\u201cElas vivem em um estado de aprisionamento subjetivo e desalento\u201d, conceitua a pesquisadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 falta de um olhar mais sens\u00edvel at\u00e9 mesmo pelos profissionais envolvidos, Gisele destaca a fala de duas m\u00e3es que relataram terem passado por um processo de coer\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o nascimento dos filhos durante o internamento no hospital. \u201cHouve relatos de a\u00e7\u00f5es coercitivas. Duas delas queriam muito amamentar os beb\u00eas ap\u00f3s o nascimento deles, mas relataram que foram impedidas pela equipe do hospital. Uma delas lutou, insistiu muito, at\u00e9 que conseguiu\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora pontua que o ato de entregar os filhos para ado\u00e7\u00e3o foi permeado de cuidado e preocupa\u00e7\u00e3o dessas mulheres em rela\u00e7\u00e3o aos beb\u00eas, atitude que se op\u00f5e ao mero abandono.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu pude perceber que elas se amparam muito na confian\u00e7a no Poder Judici\u00e1rio de que essa nova fam\u00edlia estar\u00e1 ofertando \u00e0 crian\u00e7a o que elas n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es, naquele momento, de ofertar. H\u00e1 uma expectativa pelo reencontro com esse filho muito forte. Uma das mulheres relatou a despedida do filho, logo ap\u00f3s o parto, em que segurou o beb\u00ea em seu colo e jurou para ele que um dia iria reencontr\u00e1-lo\u201d, conta.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gisele Castanheira, pesquisadora.<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando decidiu mergulhar em um tema t\u00e3o caro \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o como psic\u00f3loga do Tribunal de Justi\u00e7a (TJ) da comarca de Cascavel, Gisele Castanheira dos Santos, egressa do curso de Psicologia da UEL, j\u00e1 havia se dedicado \u00e0 entrega legal de rec\u00e9m-nascidos como objeto de estudo, por\u00e9m sob a objetividade da norma jur\u00eddica. 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