{"id":154,"date":"2025-07-30T09:40:00","date_gmt":"2025-07-30T12:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/departamentos.uel.br\/clinica-medica\/?p=154"},"modified":"2025-07-30T09:40:01","modified_gmt":"2025-07-30T12:40:01","slug":"projeto-usa-medicina-de-precisao-e-inteligencia-artificial-para-combater-artrite-reumatoide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/departamentos.uel.br\/clinica-medica\/sem-categoria\/2025\/07\/30\/projeto-usa-medicina-de-precisao-e-inteligencia-artificial-para-combater-artrite-reumatoide\/","title":{"rendered":"Projeto usa medicina de precis\u00e3o e intelig\u00eancia artificial para combater artrite reumatoide"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Edson Vitoretti<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ag\u00eancia UEL<\/p>\n\n\n\n<p>A artrite reumatoide atinge cerca de 2 milh\u00f5es de pessoas no Brasil e os custos do tratamento podem chegar a at\u00e9 15 mil reais mensais. Outro desafio da doen\u00e7a \u00e9 que aproximadamente um ter\u00e7o dos pacientes n\u00e3o respondem aos rem\u00e9dios mais eficazes. Essas quest\u00f5es podem ter solu\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de um enfoque mais personalizado no tratamento dos pacientes com uso de t\u00e9cnicas de biologia molecular e ferramentas de intelig\u00eancia artificial. \u00c9 o que prop\u00f5e o projeto \u201cMedicina de Precis\u00e3o na Determina\u00e7\u00e3o de Preditores de Progn\u00f3stico e Resposta Terap\u00eautica a Inibidores de TNF em Pacientes com Artrite Reumatoide: um Olhar nos Receptores do Inflamassoma\u201d, estudo coordenado pela professora do&nbsp;<a href=\"https:\/\/departamentos.uel.br\/patologia-analises-clinicas-e-toxicologicas\/\">Departamento de Patologia, An\u00e1lises Cl\u00ednicas e Toxicol\u00f3gicas<\/a>&nbsp;da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Andr\u00e9a Name Colado Sim\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como em toda doen\u00e7a autoimune, na artrite reumatoide ocorre um ataque equivocado e desordenado de anticorpos a c\u00e9lulas sadias, que nessa doen\u00e7a tem como consequ\u00eancia inflama\u00e7\u00e3o intensa e descontrolada em tecidos de articula\u00e7\u00f5es. O vil\u00e3o da hist\u00f3ria chama-se inflamassoma, que \u00e9 um aglomerado de prote\u00ednas que se unem em resposta \u00e0 a\u00e7\u00e3o de ant\u00edgenos ou at\u00e9 mesmo \u00e0 uma inflama\u00e7\u00e3o j\u00e1 instalada, produzindo subst\u00e2ncias que v\u00e3o potencializar o processo inflamat\u00f3rio j\u00e1 existente. Normalmente o inflamassoma tem um papel ben\u00e9fico, ajudando as c\u00e9lulas a responderem a uma enfermidade, entretanto, sua ativa\u00e7\u00e3o repetida e descontrolada desempenha um papel cr\u00edtico no desenvolvimento das doen\u00e7as autoimunes.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas prote\u00ednas s\u00e3o fundamentais na forma\u00e7\u00e3o do inflamassoma: NLRP1 e NLRP3. Conhecidas como receptores do inflamassoma, s\u00e3o geradas por genes que levam o mesmo nome, NLRP1 e NLRP3. O estudo conduzido por Andr\u00e9a Name pretende verificar se altera\u00e7\u00f5es nesses genes podem impactar em uma maior ou menor intensifica\u00e7\u00e3o do processo inflamat\u00f3rio e associar essas varia\u00e7\u00f5es a respostas a tratamentos e a medica\u00e7\u00f5es. \u201cVamos estudar se pessoas com altera\u00e7\u00f5es nesses genes teriam mais propens\u00e3o a ter a artrite reumatoide, a desenvolver a doen\u00e7a de forma mais agressiva ou se responderiam melhor ou pior a determinado tratamento\u201d, explica a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fazer essas associa\u00e7\u00f5es \u00e9 preciso validar esses genes como biomarcadores, que s\u00e3o indicadores de causa e efeito, logo, ajudam o m\u00e9dico a indicar qual o melhor rem\u00e9dio ou tratamento indicado para cada paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente n\u00e3o existe no SUS protocolo de atendimento que contemple biomarcadores gen\u00e9ticos para artrite reumatoide, o que causa desperd\u00edcio de tempo e dinheiro em sucessivos testes aleat\u00f3rios de medica\u00e7\u00f5es e tratamentos n\u00e3o adequados para uma doen\u00e7a cujos custos s\u00e3o extremamente elevados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVoc\u00ea submete uma pessoa a um tratamento caro, causando v\u00e1rias rea\u00e7\u00f5es adversas, e ainda assim muitas pessoas n\u00e3o respondem ao tratamento. O objetivo do projeto \u00e9, usando a intelig\u00eancia artificial, identificar um painel de biomarcadores gen\u00e9ticos e cl\u00ednicos que pudesse favorecer o diagn\u00f3stico, o progn\u00f3stico, a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e confirmar se aquele tratamento vai dar certo ou n\u00e3o para aquela determinada pessoa\u201d, explica Andr\u00e9a Name. Em s\u00edntese, se o estudo comprovar que altera\u00e7\u00f5es nesses genes t\u00eam a ver com uma maior ou menor intensifica\u00e7\u00e3o no processo inflamat\u00f3rio, consegue-se um biomarcador para ser associado a aspectos da doen\u00e7a, como suscetibilidade, progn\u00f3stico e respostas a tratamentos e medica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A medica\u00e7\u00e3o mais eficaz atualmente na artrite reumatoide \u00e9 o inibidor de TNF (fator de necrose tumoral). O problema \u00e9 que cerca de 30% dos pacientes n\u00e3o respondem a esse medicamento. O estudo tentar\u00e1 indicar se essa falha terap\u00eautica ocorre devido a altera\u00e7\u00f5es em algum dos genes NLRP1 e NLRP3 que estariam intensificando o processo inflamat\u00f3rio. \u201c\u00c9 esse o enfoque: eu tenho dois genes que est\u00e3o relacionados \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o. Sabemos que esses genes podem ter algumas altera\u00e7\u00f5es que fazem com que a produ\u00e7\u00e3o da prote\u00edna que vai ativar a inflama\u00e7\u00e3o seja maior ou menor. A inflama\u00e7\u00e3o produz duas citocinas, que tamb\u00e9m s\u00e3o inflamat\u00f3rias. Qualquer coisa que interfira nesse processo todo, incluindo a parte gen\u00e9tica, que possa fazer com que se produza mais ou menos citocinas inflamat\u00f3rias, pode impactar diretamente na doen\u00e7a\u201d, afirma a coordenadora do projeto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/operobal.uel.br\/wp-content\/webp-express\/webp-images\/doc-root\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ANDREIA-NAME-1024x683.jpg.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-103010\" style=\"width:906px;height:auto\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Andr\u00e9a Name sobre os desafios da artrite reumatoide: \u201cVoc\u00ea submete uma pessoa a um tratamento caro, causando v\u00e1rias rea\u00e7\u00f5es adversas, e ainda assim muitas pessoas n\u00e3o respondem ao tratamento\u201d. (Foto: Ag\u00eancia UEL)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Personaliza\u00e7\u00e3o para combater a doen\u00e7a<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>A valida\u00e7\u00e3o desses genes como biomarcadores \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s da medicina de precis\u00e3o, que \u00e9 uma customiza\u00e7\u00e3o do tratamento de um paciente, identificando suas caracter\u00edsticas \u00fanicas, como a combina\u00e7\u00e3o de sua gen\u00e9tica, seus hist\u00f3rico cl\u00ednico e estilo de vida. No entanto, a aplica\u00e7\u00e3o da medicina de precis\u00e3o para o diagn\u00f3stico e tratamento de pacientes reumatol\u00f3gicos ainda esbarra na escassez de evid\u00eancias cient\u00edficas, da\u00ed a import\u00e2ncia do projeto em buscar essas comprova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMedicina de precis\u00e3o \u00e9 um termo utilizado na \u00e1rea m\u00e9dica de alguns anos para c\u00e1 para falar de um tratamento personalizado de acordo com a gen\u00e9tica e determinadas caracter\u00edsticas cl\u00ednicas e ambientais do paciente. \u00c9 adequar o tratamento do paciente de acordo com as suas caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas e a realidade em que ele vive\u201d, explica Andr\u00e9a Name, e complementa: \u201cPara fazer a predi\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, n\u00f3s temos utilizado a intelig\u00eancia artificial, porque ela trabalha com muitos dados. Utilizamos in\u00fameros dados obtidos da avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, perfil gen\u00e9tico e marcadores da doen\u00e7a, por exemplo, se \u00e9 fumante, a idade, o sexo, a ra\u00e7a, e combinamos essas informa\u00e7\u00f5es em algoritmos tentando prever a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a\u201d, ilustra a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a execu\u00e7\u00e3o desses testes, ser\u00e3o selecionados 200 pacientes com artrite reumatoide de ambos os sexos, com idade entre 18 e 70 anos, atendidos no per\u00edodo de maio de 2024 a dezembro de 2025 pelo Ambulat\u00f3rio de Reumatologia do&nbsp;<a href=\"https:\/\/sites.uel.br\/hu-londrina\/\">Hospital Universit\u00e1rio de Londrina<\/a>&nbsp;(HU). Os grupos ser\u00e3o categorizados por sexo, idade e etnia e, posteriormente \u00e0 inclus\u00e3o dos pacientes, ser\u00e1 realizada uma busca nos prontu\u00e1rios eletr\u00f4nicos para a identifica\u00e7\u00e3o daqueles em uso ou com hist\u00f3rico de uso de inibidores de TNF. Ent\u00e3o os pacientes ser\u00e3o subdivididos de acordo com a resposta terap\u00eautica em bons respondedores, resposta moderada e n\u00e3o respondedores, seguindo os crit\u00e9rios preconizados pela Liga Europeia Contra o Reumatismo (EULAR).<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, ser\u00e1 feita uma compara\u00e7\u00e3o desse grupo de 200 pacientes com um outro grupo que n\u00e3o possui a doen\u00e7a para verificar a frequ\u00eancia de genes relacionados \u00e0 artrite reumatoide. \u201cVamos analisar aspectos como se a frequ\u00eancia dos genes investigados \u00e9 diferente nos pacientes que t\u00eam a doen\u00e7a mais agressiva, ou naqueles que t\u00eam mais eros\u00e3o \u00f3ssea, ou ainda nos que doen\u00e7a evolui mais gravemente\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Andrea, al\u00e9m da contribui\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 dar para a evolu\u00e7\u00e3o dos conhecimentos e tratamentos relativos \u00e0 artrite reumatoide e a consequente redu\u00e7\u00e3o dos seus custos, o projeto tamb\u00e9m ser\u00e1 importante para os estudantes da UEL. \u201cA import\u00e2ncia desse projeto \u00e9 que a UEL est\u00e1 na vanguarda do conhecimento e que conseguimos com projetos assim empregarmos o conceito medicina de precis\u00e3o e intelig\u00eancia artificial no aprendizado dos nossos acad\u00eamicos, utilizando o que h\u00e1 de mais atual para pacientes atendidos pelo ambulat\u00f3rio de Reumatologia do HU. Assim, contribu\u00edmos para a forma\u00e7\u00e3o de profissionais de excel\u00eancia, que dominem essas tecnologias e saibam produzir e aplicar ci\u00eancia na pr\u00e1tica cl\u00ednica\u201d, comenta Andr\u00e9a Name.<\/p>\n\n\n\n<p>Com este projeto, a professora Andr\u00e9a Name foi contemplada no \u201cPrograma de Bolsas de Produtividade em Pesquisa e Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico\u201d e tamb\u00e9m no Edital de \u201cPrograma Institucional de&nbsp;Pesquisa&nbsp;Universal (B\u00e1sica e Aplicada)\u201d, ambos promovidos pela Funda\u00e7\u00e3o Arauc\u00e1ria, e contar\u00e1 com a parceria do Instituto de Pesquisa para o C\u00e2ncer (IPEC). O estudo est\u00e1 inserido no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.iaraucaria.pr.gov.br\/napis\/napi-genomica\/#:~:text=O%20NAPI%20Gen%C3%B4mica%20integra%20pesquisadores,pesquisas%20em%20genoma%20no%20Estado.\">Novo Arranjo de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o \u2013 NAPI Gen\u00f4mica do Paran\u00e1<\/a>, que tem o objetivo de promover a forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos especializados em an\u00e1lise gen\u00f4mica e medicina de precis\u00e3o, composto por mais de 14 institui\u00e7\u00f5es e 150 pesquisadores parceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9a Name Colado Sim\u00e3o possui Doutorado em Medicina e Ci\u00eancias da Sa\u00fade pela UEL e \u00e9 diretora do Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade (CCS) da universidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edson Vitoretti Ag\u00eancia UEL A artrite reumatoide atinge cerca de 2 milh\u00f5es de pessoas no Brasil e os custos do tratamento podem chegar a at\u00e9 15 mil reais mensais. 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