Estudantes de Agronomia da UEL realizam diagnóstico ambiental e limnológico no Lago Igapó IV
Departamento de Agronomia
atualizado 1 semana atrás
Estudantes do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) participaram de uma aula prática da disciplina de Conservação de Recursos Naturais, ministrada pelo professor Oclizio Medeiros, no Lago Igapó IV, em Londrina-PR. A atividade teve como objetivo aproximar os conteúdos abordados em sala de aula da realidade de um ecossistema aquático urbano, permitindo aos estudantes observar, analisar e discutir aspectos relacionados à conservação dos recursos hídricos.
A aula foi desenvolvida a partir dos conteúdos de Limnologia, com ênfase no estudo das propriedades físicas, químicas e biológicas da água e na compreensão das relações entre o ambiente aquático e sua bacia hidrográfica. Durante a atividade, os estudantes foram orientados a observar características da água, da biota, das margens e do uso e ocupação do entorno, buscando identificar evidências de alterações ambientais e possíveis fatores capazes de interferir na qualidade do recurso hídrico. O roteiro da atividade considerou o Lago Igapó como parte do sistema do Ribeirão Cambé, reforçando a importância de analisar o ambiente aquático de forma integrada à sua bacia de drenagem.

Entre os aspectos avaliados estiveram a coloração e transparência da água, presença de espuma, materiais flutuantes, algas, macrófitas, fauna aquática e condições da vegetação marginal. Também foram observados fatores relacionados à ocupação das margens, como solo exposto, erosão, compactação, áreas impermeabilizadas e resíduos sólidos. A atividade permitiu aos estudantes relacionar as características observadas em campo aos processos de escoamento superficial e transporte de sedimentos, nutrientes e outros materiais para o ambiente aquático.
Como parte das atividades práticas, foram realizadas medições do pH e da temperatura da água, considerando diferentes períodos do dia, com observações realizadas nos turnos da manhã e da tarde. A comparação entre os períodos possibilitou discutir a influência das condições ambientais e da variação diária sobre parâmetros físicos e químicos da água, reforçando a importância do monitoramento sistemático dos recursos hídricos. O roteiro também destaca outros parâmetros que podem compor campanhas de monitoramento, como oxigênio dissolvido, condutividade elétrica, turbidez e transparência, além de análises laboratoriais de nutrientes e indicadores de qualidade da água.


Durante o diagnóstico realizado no Lago Igapó IV, também foram identificados pontos que apresentavam possíveis fontes de poluição, além da presença de resíduos sólidos circulando ou acumulados em algumas áreas do lago. Essas observações foram utilizadas como elementos para a discussão sobre as possíveis entradas de poluentes e nutrientes no sistema. Entre as fontes que podem ser investigadas em ambientes urbanos estão lançamentos e galerias, bem como fontes difusas associadas ao escoamento superficial, ao transporte de sedimentos, resíduos urbanos e matéria orgânica.
Outro tema trabalhado durante a aula foi a eutrofização. A partir das observações realizadas, os estudantes discutiram a relação entre a entrada de nutrientes, o aumento da produção de algas, a formação e decomposição de matéria orgânica e o consequente consumo de oxigênio no ambiente aquático. Foi ressaltado, entretanto, que a presença isolada de algas não é suficiente para caracterizar um processo de eutrofização, sendo necessária a avaliação conjunta de diferentes indicadores ambientais.

Ao final da atividade, foi repassada aos estudantes uma atividade de diagnóstico e proposição de medidas de conservação e recuperação. Organizados em duplas e trios, os alunos foram orientados a identificar os principais problemas ou riscos ambientais observados, apontar as evidências encontradas em campo, discutir suas possíveis causas e consequências e propor medidas de conservação e recuperação. A proposta também buscou estimular a reflexão sobre quais parâmetros deveriam ser monitorados para acompanhar os problemas identificados e quais ações poderiam contribuir para a melhoria das condições ambientais.
A atividade reforçou, assim, a necessidade de uma abordagem integrada dos recursos hídricos, considerando não somente o Lago Igapó, mas também toda a bacia hidrográfica responsável pela drenagem e pelo transporte de sedimentos, nutrientes e poluentes. Dessa forma, a aula prática possibilitou aos estudantes compreender que a conservação de um ecossistema aquático urbano depende de diagnóstico, monitoramento contínuo e ações articuladas sobre o corpo d’água, suas margens e as áreas que contribuem para sua drenagem.
A experiência proporcionou aos estudantes uma oportunidade de aplicar, em uma situação real, conceitos trabalhados na disciplina de Conservação de Recursos Naturais e nos conteúdos de Limnologia, fortalecendo a formação profissional para a identificação, avaliação e proposição de medidas relacionadas à conservação dos recursos hídricos.