Primeira planta ornamental transgênica do Brasil é avaliada pela CTNBio com participação de pesquisador da UEL
Departamento de Agronomia
atualizado 2 horas atrás
Orquídea Phalaenopsis azul, desenvolvida por engenharia genética, teve análise conduzida pelo professor Ricardo Tadeu de Faria, que atua há quase 30 anos com pesquisas em Orchidaceae na universidade.
No dia 5 de agosto de 2026, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em Brasília, avaliou a liberação comercial da primeira planta ornamental geneticamente modificada submetida à avaliação para comercialização no Brasil: uma orquídea do gênero Phalaenopsis com flores de coloração azul-arroxeada, obtida por transformação genética.
A avaliação contou com a participação do professor Ricardo Tadeu de Faria, do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), convidado para emitir parecer técnico sobre a liberação comercial da nova orquídea.

“Recebi com grande prazer o convite para participar desse processo e emitir um parecer sobre a liberação comercial da orquídea azul. É uma oportunidade de contribuir, a partir da experiência acumulada pela UEL em quase 30 anos de pesquisas com Orchidaceae, para uma discussão que inaugura uma nova etapa para a floricultura brasileira”, destaca o professor.
Trajetória da UEL com orquídeas
A participação do pesquisador está diretamente relacionada à trajetória da UEL com as orquídeas. Desde 1997, quando foram criados o Orquidário UEL e o Laboratório de Cultura de Tecidos, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação desenvolvem pesquisas com a família Orchidaceae, envolvendo propagação, cultivo, conservação e desenvolvimento de tecnologias.
Como surgiu a Phalaenopsis azul
A coloração azul é uma característica difícil de ser obtida em Phalaenopsis por meio do melhoramento convencional. A nova planta foi desenvolvida por engenharia genética utilizando um gene proveniente de Commelina communis, conhecida popularmente como trapoeraba.
Esse gene participa da produção de uma enzima envolvida na rota bioquímica responsável pela formação de delfinidina, um pigmento do grupo das antocianinas associado às colorações azuladas e arroxeadas. Assim, a tecnologia não simplesmente “pinta” a flor de azul. A alteração genética permite que a própria planta produza um pigmento que a Phalaenopsis convencional não produz em quantidade suficiente para apresentar essa coloração.
A tecnologia já é comercializada no Japão e também passou por avaliação nos Estados Unidos. Em sua avaliação, o USDA concluiu que a planta não apresenta características que indiquem maior risco fitossanitário em comparação com uma Phalaenopsis convencional.


Avaliação de biossegurança
A CTNBio é um órgão colegiado multidisciplinar criado pela Lei nº 11.105/2005 e responsável pela avaliação técnica de questões relacionadas à biossegurança de organismos geneticamente modificados. Antes da liberação comercial, são avaliados aspectos relacionados à saúde humana e animal, agricultura e meio ambiente, incluindo características da planta, a modificação genética realizada, capacidade de reprodução e dispersão, possibilidade de fluxo gênico e eventual potencial invasivo.
No caso da Phalaenopsis azul, as avaliações disponíveis indicam que a planta não apresenta características que a tornem mais invasiva ou daninha do que uma Phalaenopsis convencional.
Um novo capítulo para a floricultura
A avaliação da Phalaenopsis azul representa um marco para a floricultura brasileira. A biotecnologia, tradicionalmente associada às grandes culturas agrícolas, passa agora a ganhar espaço também no desenvolvimento de plantas ornamentais, nas quais características como cor, formato, tamanho e durabilidade das flores possuem grande importância econômica.
Para o Brasil, que possui enorme biodiversidade vegetal e grande potencial na produção de flores e plantas ornamentais, o avanço dessas tecnologias pode abrir novas oportunidades para pesquisa, inovação e desenvolvimento de produtos.
A expectativa é que, cumpridas as etapas regulatórias e produtivas necessárias, a nova Phalaenopsis possa chegar ao mercado brasileiro nos próximos anos. Mais do que uma orquídea azul, a novidade representa a chegada da biotecnologia a uma nova fronteira: a criação de características ornamentais por meio da ciência e da engenharia genética.